A nova ciência dos Medicamentos para Emagrecimento: O que todo Profissional de Educação Física precisa saber

A nova geração de medicamentos para obesidade baseados em incretinas representa uma mudança de paradigma no tratamento da doença. Entender como eles funcionam — e o que eles não fazem — é fundamental para orientar seus alunos de forma científica e evitar expectativas irreais.

por Rafa Lund17 min de leitura
A nova ciência dos Medicamentos para Emagrecimento: O que todo Profissional de Educação Física precisa saber
Sumario

Se você atende pessoas que querem emagrecer, provavelmente já ouviu falar de semaglutida, tirzepatida ou simplesmente "Ozempic". Nos últimos anos, esses medicamentos saíram do nicho da endocrinologia e se tornaram fenômeno cultural. Celebridades falam abertamente sobre seu uso, redes sociais debatem se é "trapacear" ou não, e seus pacientes chegam perguntando se vale a pena.

A questão é que a maioria das informações que circulam sobre esses medicamentos é superficial ou simplesmente errada. E como profissional de Educação Física, você precisa entender a ciência por trás deles — não para prescrevê-los (isso é função médica), mas para orientar corretamente quem os utiliza, ajustar a prescrição de exercícios e, principalmente, explicar por que o treino de força continua sendo absolutamente indispensável mesmo para quem está tomando a medicação.

Neste artigo, vamos explorar como esses medicamentos funcionam, o que realmente acontece com a composição corporal durante o tratamento, por que o exercício potencializa os resultados, e o que a ciência diz sobre o que acontece quando o medicamento é interrompido.

A Evolução das Incretinas: Do Monstro de Gila ao Laboratório

A história dos medicamentos baseados em incretinas começa de forma improvável — com um lagarto venenoso do deserto do Arizona. Na década de 1990, pesquisadores descobriram que a saliva do monstro de Gila (Heloderma suspectum) continha uma substância chamada exendina-4, que tinha propriedades semelhantes ao GLP-1 humano, mas com uma diferença crucial: era muito mais resistente à degradação enzimática.

O GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é um hormônio intestinal liberado após as refeições que tem dois efeitos principais: estimula a secreção de insulina de forma dependente da glicose e reduz o apetite. O problema do GLP-1 natural é que ele é destruído em minutos pela enzima DPP-4, tornando-o inútil como medicamento.

A descoberta da exendina-4 abriu caminho para o desenvolvimento de análogos do GLP-1 que pudessem ser usados terapeuticamente. O primeiro foi a exenatida (Byetta), aprovada em 2005 para diabetes tipo 2. Mas foi a liraglutida (Victoza/Saxenda) e especialmente a semaglutida (Ozempic/Wegovy) que transformaram o campo — primeiro no tratamento do diabetes, e depois como medicamentos dedicados para obesidade.

A tirzepatida representa a evolução mais recente dessa classe. Diferentemente dos análogos puros de GLP-1, ela é um agonista duplo que ativa simultaneamente os receptores de GLP-1 e GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide). Essa combinação produz resultados superiores, como veremos adiante.

O Mecanismo de Ação: Por Que Esses Medicamentos Funcionam

Para entender por que a tirzepatida produz perdas de peso tão expressivas, precisamos olhar para os múltiplos mecanismos que ela ativa.

O componente GLP-1 age principalmente no sistema nervoso central. No hipotálamo, ele modula os neurônios POMC (que promovem saciedade) e AgRP (que promovem fome), resultando em redução significativa do apetite e da ingestão calórica. Esse efeito é central: pacientes relatam simplesmente não sentir fome, ou se satisfazerem com porções muito menores. O GLP-1 também retarda o esvaziamento gástrico, contribuindo para a sensação de plenitude prolongada após as refeições.

O componente GIP é mais complexo e representa a verdadeira inovação da tirzepatida. Durante muito tempo, o GIP foi considerado "obesogênico" porque promove o armazenamento de triglicerídeos no tecido adiposo no estado alimentado. Parecia contraditório usar um agonista de GIP para tratar obesidade. Mas pesquisas mais recentes revelaram que os efeitos do GIP são altamente dependentes do contexto metabólico.

No estado de jejum ou restrição calórica, a ativação do receptor de GIP parece promover lipólise ao invés de lipogênese. Além disso, estudos em camundongos demonstraram que o GIP melhora a sensibilidade à insulina por mecanismos independentes da perda de peso — um estudo publicado no Journal of Clinical Investigation em 2021 mostrou que camundongos sem receptores de GLP-1 tratados com agonistas de GIP apresentaram melhora de 1,7 vezes na sensibilidade à insulina mesmo quando pareados por peso com controles.

A combinação dos dois mecanismos parece ser sinérgica. A tirzepatida foi desenhada com um perfil de afinidade específico: afinidade igual ao GIP nativo para o receptor GIPR, mas afinidade 5 vezes menor que o GLP-1 nativo para o receptor GLP-1R. Esse "agonismo desbalanceado" parece otimizar a relação entre eficácia e tolerabilidade.

Os Resultados Clínicos: O Que os Estudos Mostram

Os ensaios clínicos da tirzepatida produziram resultados sem precedentes na história do tratamento farmacológico da obesidade.

O estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine em 2022, avaliou a tirzepatida em adultos com obesidade sem diabetes. Após 72 semanas, os participantes que receberam a dose máxima de 15mg perderam em média 22,5% do peso corporal — uma perda que até então só era alcançada com cirurgia bariátrica. Mais de um terço dos participantes perdeu mais de 25% do peso.

Em pessoas com diabetes tipo 2, os resultados do programa SURPASS foram igualmente impressionantes. O estudo SURPASS-2 comparou diretamente a tirzepatida com a semaglutida 1mg e demonstrou superioridade tanto para controle glicêmico quanto para perda de peso. A tirzepatida na dose de 15mg produziu perda média de 12,4kg versus 6,2kg com semaglutida.

Além da perda de peso, os estudos demonstraram benefícios cardiometabólicos substanciais. O SURMOUNT-OSA mostrou redução de 62,8% no índice de apneia-hipopneia em pacientes com apneia obstrutiva do sono. O SYNERGY-NASH demonstrou resolução da esteatohepatite em 62-73% dos pacientes sem piora da fibrose hepática. E o estudo SUMMIT mostrou redução de 38% na morte cardiovascular ou piora da insuficiência cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

O estudo SURPASS-CVOT, com mais de 14.000 participantes seguidos por até 4 anos, demonstrou ainda uma redução de 16% na mortalidade por todas as causas — um achado particularmente impressionante considerando que a obesidade é fator de risco para praticamente todas as principais causas de morte.

A Questão da Composição Corporal: O Que Realmente Acontece com o Músculo

Aqui chegamos ao ponto que mais interessa para o profissional de Educação Física: o que acontece com a massa muscular durante o tratamento com tirzepatida?

A resposta honesta é: a tirzepatida, por si só, não preserva músculo melhor do que uma dieta convencional com déficit calórico equivalente.

No estudo SURMOUNT-1, a análise por DXA (absorciometria de raios-X de dupla energia) mostrou que a proporção de perda foi de aproximadamente 74% de massa gorda e 26% de massa magra. Essa proporção é praticamente idêntica aos 75% de gordura e 25% de massa magra observados no grupo placebo — que perdeu muito menos peso total, mas na mesma proporção.

Isso significa que uma pessoa que perde 20kg com tirzepatida está perdendo aproximadamente 5kg de massa magra. Para alguns pacientes, especialmente os mais velhos ou aqueles que já partiam de baixa massa muscular, isso pode ser clinicamente significativo.

No entanto, é importante contextualizar esse achado. A proporção 75:25 é consistente com o que se observa em qualquer intervenção de perda de peso que não inclua treino de resistência. Não é um defeito específico da tirzepatida — é a biologia normal do déficit calórico. O corpo, quando perde peso, perde tanto gordura quanto músculo em proporções relativamente previsíveis, a menos que haja um estímulo específico para preservar o tecido muscular.

E aqui está o dado mais importante para sua prática: estudos que combinaram medicamentos incretínicos com treino de resistência e ingestão adequada de proteína mostraram resultados dramaticamente diferentes.

O estudo SEMALEAN, publicado em 2024, avaliou pacientes com obesidade sarcopênica (baixa massa muscular + excesso de gordura) tratados com semaglutida combinada com exercício resistido supervisionado. Os resultados mostraram manutenção da massa magra apesar de perda significativa de peso, aumento de 4,5kg na força de preensão manual, e redução da prevalência de obesidade sarcopênica de 49% para 33%.

Outros estudos demonstraram que pacientes que combinaram o uso de GLP-1 agonistas com treino de força e ingestão proteica de 1,2 a 1,6g/kg/dia conseguiram perder 13% do peso corporal com apenas 3% de perda de massa muscular. Alguns pacientes inclusive ganharam massa magra enquanto perdiam gordura — algo raramente visto em intervenções de emagrecimento.

A mensagem é clara: o medicamento sozinho não preserva músculo. Mas o medicamento combinado com treino de força e proteína adequada pode produzir uma recomposição corporal excepcional.

Efeitos Independentes de Caloria: Mito ou Realidade?

Uma questão que gera debate na comunidade científica é se os benefícios da tirzepatida vão além da simples redução da ingestão calórica. Existiriam efeitos metabólicos "independentes de caloria"?

A evidência é mista e requer análise cuidadosa.

Estudos em camundongos usando o desenho de "pair-feeding" (onde animais controle recebem exatamente a mesma quantidade de calorias que os animais tratados) sugeriram que sim — os animais tratados perdiam mais peso mesmo com ingestão calórica idêntica. Um estudo publicado no Journal of Physiology em 2025 mostrou que camundongos tratados com tirzepatida perderam 73% mais peso que controles pareados por caloria.

Os mecanismos propostos incluem aumento da oxidação de gorduras (evidenciado por redução no quociente respiratório), mobilização preferencial de gordura visceral e hepática via receptores GIPR no tecido adiposo, e possível termogênese aumentada via mecanismos no tecido adiposo marrom.

No entanto, quando olhamos para estudos em humanos, a história é diferente. O estudo PIVOTAL, publicado em 2025 na Cell Metabolism pelo grupo de Eric Ravussin — uma das maiores autoridades mundiais em metabolismo energético — usou câmaras metabólicas para medir precisamente o gasto energético de pacientes tratados com tirzepatida.

Os resultados mostraram que a tirzepatida não preveniu a adaptação metabólica. A taxa metabólica de repouso caiu proporcionalmente à perda de peso, exatamente como acontece com qualquer outra intervenção de emagrecimento. O corpo humano, diferentemente do camundongo, parece manter seus mecanismos evolutivos de conservação de energia mesmo na presença do medicamento.

A conclusão mais honesta é que aproximadamente 70-80% da perda de peso com tirzepatida se deve à redução da ingestão calórica, enquanto 20-30% pode envolver mecanismos adicionais — principalmente a mobilização preferencial de depósitos de gordura visceral e hepática, que têm impacto desproporcional na saúde metabólica.

O Problema do Reganho: O Que Acontece Quando Para

Talvez o dado mais importante que você precisa comunicar aos seus alunos seja este: quando o medicamento é interrompido, o peso volta.

O estudo SURMOUNT-4 randomizou pacientes que haviam perdido peso com tirzepatida para continuar o tratamento ou trocar para placebo. Após um ano de acompanhamento, o grupo que continuou o medicamento manteve praticamente toda a perda de peso. O grupo que trocou para placebo recuperou mais de 50% do peso perdido — e 82,5% dos participantes recuperaram pelo menos 25% do que haviam perdido.

Resultados semelhantes foram observados com semaglutida no estudo STEP-1, onde dois terços do peso perdido foi recuperado após a interrupção.

Isso não é um defeito do medicamento — é a biologia da obesidade. A perda de peso ativa mecanismos compensatórios evolutivos que foram selecionados ao longo de milhões de anos para proteger contra a fome: aumento da grelina (hormônio da fome), redução da leptina, GLP-1 e PYY (hormônios da saciedade), redução persistente da taxa metabólica basal, e aumento da eficiência muscular (menos calorias gastas para o mesmo movimento).

Esses mecanismos não são "resetados" pela perda de peso. Eles persistem indefinidamente, criando uma pressão biológica constante para recuperar o peso perdido. O medicamento contrabalança essa pressão enquanto está sendo usado. Quando é interrompido, a pressão permanece e o reganho é quase inevitável.

Estratégias de "desmame" gradual mostraram benefícios modestos, mas mesmo nesses estudos, 19% dos pacientes eventualmente precisaram reiniciar o tratamento em dose plena.

O consenso atual entre especialistas é que a obesidade deve ser tratada como doença crônica que requer tratamento contínuo — assim como hipertensão ou diabetes. A expectativa de que alguém possa "usar o medicamento para emagrecer e depois parar" ignora completamente a biologia da regulação do peso corporal.

O Futuro: Medicamentos em Desenvolvimento

A tirzepatida representa o estado da arte atual, mas não é o ponto final. Diversos medicamentos em desenvolvimento prometem resultados ainda mais expressivos.

O retatrutide é um agonista triplo que ativa simultaneamente os receptores de GLP-1, GIP e glucagon. No estudo TRIUMPH-4, produziu perda média de 28,7% do peso corporal — com quase um quarto dos participantes perdendo mais de 35% do peso. A adição do componente glucagon parece contribuir com aumento da oxidação hepática de ácidos graxos e termogênese, além de elevação significativa de beta-hidroxibutirato (2 a 3 vezes), sugerindo aumento da cetogênese. A expectativa é de aprovação pelo FDA em 2027.

O CagriSema combina semaglutida com cagrilintida, um análogo de amilina. A amilina é um hormônio co-secretado com a insulina que também reduz o apetite por mecanismos distintos do GLP-1. A combinação produziu perda de 20,4% do peso, com 60% dos participantes atingindo perda superior a 20%.

A amicretina é uma molécula única que combina atividade de GLP-1 e amilina no mesmo peptídeo. Resultados preliminares mostraram perda de 22% em 36 semanas, sem plateau aparente — sugerindo que a perda poderia continuar além desse período.

O orforglipron representa outra abordagem: é o primeiro agonista de GLP-1 oral de pequena molécula. Diferentemente da semaglutida oral (que ainda é um peptídeo e requer jejum de 30 minutos antes e depois da dose), o orforglipron pode ser tomado com alimentos e em qualquer horário. Produziu perda de 12,4% do peso em estudos de fase 2, com submissão ao FDA esperada para o final de 2025.

O Papel do Exercício: Por Que Continua Sendo Indispensável

Diante de medicamentos que produzem perdas de 20-30% do peso corporal, surge a pergunta inevitável: o exercício ainda importa?

A resposta é inequivocamente sim — e por múltiplas razões.

Primeiro, como vimos, o exercício resistido é a única intervenção capaz de preservar ou até aumentar a massa muscular durante a perda de peso. Sem ele, seu aluno está perdendo não apenas gordura, mas também o tecido metabolicamente ativo que sustenta a saúde a longo prazo. A perda de massa muscular durante o emagrecimento está associada a maior risco de reganho, menor taxa metabólica basal, e comprometimento funcional — especialmente em pessoas mais velhas.

Segundo, os benefícios cardiometabólicos do exercício são independentes e aditivos aos do medicamento. Melhora da aptidão cardiorrespiratória, redução da pressão arterial, melhora do perfil lipídico, aumento da sensibilidade à insulina — todos esses efeitos ocorrem independentemente da perda de peso e se somam aos benefícios do tratamento farmacológico.

Terceiro, o exercício melhora a qualidade da perda de peso. Estudos com ressonância magnética mostraram que pacientes tratados com tirzepatida têm redução da mioesteatose (infiltração de gordura no músculo) mesmo quando perdem volume muscular proporcionalmente. A combinação com exercício potencializa esse efeito, resultando em um músculo não apenas preservado em quantidade, mas também melhor em qualidade.

Quarto, e talvez mais importante: o exercício pode ser a variável que determina o sucesso a longo prazo. Se e quando o paciente precisar reduzir ou interromper o medicamento, a massa muscular preservada e a aptidão física desenvolvida serão cruciais para minimizar o reganho. Pessoas com maior massa muscular têm taxa metabólica mais alta e melhor capacidade de oxidar gordura — exatamente os fatores que ajudam a contrabalançar os mecanismos compensatórios que empurram para o reganho.

Implicações Práticas para a Prescrição de Exercícios

Se você atende ou vai atender pessoas em uso de tirzepatida ou outros agonistas de incretinas, algumas adaptações na prescrição podem ser necessárias.

A prioridade absoluta deve ser o treino de força. Não existe substituto para o estímulo mecânico na preservação da massa muscular durante déficit calórico. Priorize exercícios multiarticulares com cargas progressivas, exatamente como faria para qualquer cliente com objetivo de recomposição corporal. A diferença é que aqui a preservação muscular não é apenas desejável — é crítica.

A ingestão proteica deve ser enfatizada. Oriente seu aluno a conversar com o médico ou nutricionista sobre aumentar a proteína para 1,2 a 1,6g/kg de peso corporal por dia, distribuída em múltiplas refeições. Isso é especialmente importante porque a redução do apetite causada pelo medicamento pode levar a ingestão insuficiente de proteína se não houver planejamento.

Esteja atento aos efeitos colaterais gastrointestinais. Náuseas, vômitos e diarreia são comuns, especialmente nas primeiras semanas de tratamento ou após aumento de dose. Pode ser necessário ajustar a intensidade do treino nesses períodos. Treinos muito intensos de membros inferiores ou exercícios que comprimam o abdome podem ser mal tolerados.

Monitore sinais de fadiga excessiva. O déficit calórico significativo combinado com o treinamento pode levar a fadiga acumulada. Esteja preparado para ajustar volume e intensidade conforme necessário, priorizando qualidade sobre quantidade.

Considere a hidratação e eletrólitos. A redução da ingestão alimentar pode levar a menor consumo de líquidos e eletrólitos. Oriente sobre a importância da hidratação adequada, especialmente antes e durante o treino.

Conclusão: O Medicamento Não Substitui o Movimento

Os medicamentos baseados em incretinas representam uma revolução no tratamento da obesidade. Pela primeira vez, temos ferramentas farmacológicas que produzem perdas de peso comparáveis à cirurgia bariátrica, com perfil de segurança relativamente favorável e benefícios cardiometabólicos substanciais.

Mas esses medicamentos não são mágica. Eles funcionam principalmente reduzindo o apetite — e a perda de peso resultante segue as mesmas regras biológicas de qualquer déficit calórico. Sem treino de força e proteína adequada, haverá perda significativa de massa muscular. Sem tratamento contínuo, haverá reganho de peso. Sem exercício, os benefícios serão incompletos.

O papel do profissional de Educação Física nesse contexto é mais importante do que nunca. Você é quem vai garantir que a perda de peso seja de qualidade — que o tecido perdido seja gordura, não músculo. Você é quem vai construir a aptidão física que vai sustentar a saúde a longo prazo. E você é quem vai ajudar seu aluno a desenvolver os hábitos de movimento que serão cruciais se e quando o tratamento medicamentoso for reduzido.

A ciência dos medicamentos para obesidade avançou extraordinariamente. Mas a ciência do exercício permanece insubstituível.


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Esse texto faz parte do compromisso do Treino AI com a prática baseada em evidência. As referências científicas citadas estão disponíveis e podem ser acessadas através dos links DOI.